Filmes:
O guia pervertido do cinema
The Pervert's Guide to Cinema conduz o espectador através de uma estimulante viagem por alguns dos maiores filmes da história. O guia e apresentador é Slavoj Zizek, o carismático filósofo e psicanalista esloveno. Na sua apaixonada abordagem ao pensamento, vasculha a linguagem escondida do cinema, revelando o que os filmes podem dizer-nos sobre nós próprios.Hukkle
A onomatopéia húngara "Hukkle" significa soluço. Ambientada numa vila rural da Hungria, um simpático ancião em primeiríssimo plano soluça repetidamente, servindo como refrão num filme inteligente, formalmente elegante e narrativamente sofisticado do diretor magiar Gyorgy Pálfi. Por incrível que pareça, o seu primeiro longa. Permeado de paisagens bucólicas, cenas agrícolas e a vida de animais domésticos e silvestres, não há nenhum diálogo em "Hukkle". A fala ausenta-se da ação. Somente no final, quando uma espécie de coro grego canta a solução dos mistérios. Mas isto não faz do longa menos sonoro, muito pelo contrário. A sonoridade resulta afinadíssima com a narrativa. Mais do que complementá-la, o som e a imagem, em movimento uníssono. A poética audiovisual eleva-se numa combinação magistral de som, fotografia e montagem, a encantar o apreciador da boa técnica. A montagem, aliás, traz um halo da antiga escola soviética inspirada em Eisenstein, o que se vê nas seqüências sofisticadas minudenciando o ritmo da vida campestre, da indústria agrícola, dos processos da natureza.Irreversível
Irreversível. Porque o tempo tudo destrói. Porque certas acções são irreparáveis. Porque o homem é um animal. Porque o desejo de vingança é uma pulsão natural. Poruqe a maior parte dos crimes ficam impunes. Poruqe a perda do ser amado destrói como um raio. Porque o amor é fonte de vida. Porque qualquer história se escreve com esperma e sangue. Porque as premonições não alteram o curso das coisas. Porque o tempo tudo revela. O pior e o melhor.
Sozinho contra todos
A figura central da trama é o Açogueiros, saído do curta-metragem Carne também do diretor Gaspar Noé. Interpretado pelo excelente ator Philippe Nahon, essa criatura violenta, petrificada, fica vagando por labirintos obsessivos repletos de recalques, ódios contra estrangeiros e homossexuais, com a sempre onipresente figura da filha que ele deseja de maneira doentia. O filme cria uma atmosfera hermética onde a loucura crescente da personagem central está sempre aparente, seja nos tons amarelados de fotografia ou na narração em off. A obsessão é narrada como um diário absurdo. Um clássico do cinema moderno, cheio de poesia e fúria.

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