O segundo encontro será dia 09/09 no auditório C do CCHLA, as 9hs. O filme Húngaro, Hukkle[2002] será nosso próximo desafio.
Sinopse: Ambientada numa vila rural da Hungria, um simpático ancião soluça repetidamente, servindo como refrão neste filme inteligente e elegante. Permeado de paisagens bucólicas, cenas agrícolas e a vida de animais domésticos e silvestres, não há nenhum diálogo em "Hukkle". A fala ausenta-se da ação. Somente no final, quando uma espécie de coro grego canta a solução dos mistérios. Mas isto não faz do longa menos sonoro, muito pelo contrário. A sonoridade resulta afinadíssima com a narrativa. Mais do que complementá-la, o som e a imagem, em movimento uníssono. A poética audiovisual eleva-se numa combinação magistral de som, fotografia e montagem, a encantar o apreciador da boa técnica.
Fonte: IMDB
Gostando ou não, filmes que fogem do "comum" causam impacto, pois é difícil se livrar de certas expectativas enraizadas em nós pelo "hollywoodianismo". "Hukkle" se mostrou incômodo (pelo menos para mim), pois nos põe a par de uma história sem o auxílio da narração verbal e dos diálogos. Somos expostos a detalhes que geralmente rejeitamos ou ignoramos cotidianamente, despertando-nos de um sono profundo em que há muito havíamos mergulhado. O filme em si e por si não foi capaz de surtir o efeito que uma discussão pós-filme é capaz de gerar, vindo a se tornar de fato interessante somente após comentários, trazendo à baila detalhes que passaram despercebidos ou subestimados.
ResponderExcluirEmbora contenha diálogos e outros recursos verbais, creio que Mr. Vingança (Chan-Wook Park) surja como passível de paralelo com Hukkle, pois o que há de essencial no longa nos é transmitido visualmente, enquanto os eventos sonoros recebem destaque, principalmente pelo fato de que um dos personagens centrais é surdo e mudo.
Parece-me óbvio que a falta de diálogos de Hukkle e o distanciamento com que nos são mostrados os personagens tornam esses mais inacessíveis. Nos é muito mais difícil desenvolver algum sentimento. Concordando com o comentário do colega Tarcísio, em Hukkle parece que somos forasteiros em uma nova cidade onde ocupamos o status de observador imparcial. Poder-se-ia dizer que Hukkle é pouco profundo no que diz respeito aos personagens, ao contrário de obras mudas como as de Chaplin. Sua profundidade está em mostrar (e, principalmente, como mostrar) outros detalhes e obviedades.
Quanto mais escrevo, mais gosto de Hukkle. Então vou parar por aqui.
Realmente Laísa, eu também quanto mais falo em Hukkle, mais gosto dele. E quanto mais vejo mais coisas consigo enxergar. Para mim foi um desafio compartilhar minhas estranhezas com vocês, mas como a intenção era propor algum filme que me tocou de forma diferente, Hukkle foi o primeiro a vir a memória, que bom que o resultado foi positivo. :)
ResponderExcluir