O filme “Irreversível”, do cineasta argentino Gaspar Noé, é um longa metragem que minimante choca os seus espectadores. Não são todos os que se dispõem a assistir esta película, cujas cenas ora são nauseantes porque a câmera se movimenta muito rápido, não parando um instante, deixando ao espectador uma sensação de desconforto., ora são violentas, tais como as primeiras cenas que tem um namorado embrutecido- Marcus (Vicent Cassel)- à procura do estuprador de sua namorada- Alex (Monica Bellucci)., um assassinato, cuja cara da vítima é esmagada por um extintor de incêndio, e a cena clímax que desencadeia toda a violência que é exibida no início do filme: o estupro da jovem Alex- não irei aqui fazer um recorte do que seja o filme, e nem mesmo pretendo fazer uma sinopse ( Weynna Dória já se encarregou de mostrar a sinopse, na segunda postagem do Blog, confira abaixo!), visto que meu objetivo se afasta tanto da crítica quanto da resenha. Antes, minha única pretensão é fazer uma pequena inscrição idiossincrática, vale assinalar, sobre esta obra, tentando “ganhar’ espectadores.
Este filme é um daqueles que divide opiniões: há que pense que seja um grande filme- compartilho esta opinião-, o qual trata de um tema denso, que nos tira de nossa zona de conforto, impelindo-nos a ponderar, imediatamente e inevitavelmente acerca das violências gratuitas que nos alcançam cotidianamente. Este tema é o estupro- estamos envolvidos, quer seja como vítimas, quer seja como parentes e amigos de vítimas, ou 'simplesmente' como indivíduos que de alguma maneira se incomodam com tal violência. Porém, têm os que abandonam a exibição da película na metade da sessão por ser agressivo, forte e, em alguma medida, perturbador.
Como dissemos acima, nosso afã é tecer alguns comentários, partindo de nossas particulares compreensões. Pois bem, ao assistir este filme pela primeira vez tive momentos desconfortáveis logo no início, quando vi aquelas conturbadas imagens: câmera trêmula, nervosa, como acontecerá em boa parte do longa. Embora eu não soubesse exatamente o que viria, entendi que era de propósito e que seriam necessárias as imagens nauseantes para transmitir o que intentava Gaspar, tais como a fotografia, que é basicamente amarela, causando-nos certo estranhamento.
O Noé coloca em voga a questão do estupro como tema central do filme. Entretanto, penso que o cineasta não quer somente chamar a atenção para esta violência em particular, antes quer sublinhar várias outras violências, as quais ‘experimentamos’ cotidianamente, e como elas nos transformam.
O interessante é que mesmo que, infelizmente, estejamos acostumados com crimes hediondos que acontecem todos os dias- quer aconteça conosco ou com outrem-, não deixamos de sentir um grande desconforto quando assistimos “Irreversível”.
É nessa hora que ponderamos acerca do ‘poder’ que o cinema tem de representar situações que são tiradas de nosso dia a dia e nos chocar ao serem exibidas, quando, às vezes, nem mesmo as notícias que saem nos jornais causam-nos algum impacto. O que mais salta aos meus olhos é que sabemos que é uma representação- claro que há quem entenda que o cinema não representa a realidade, antes inventa a sua, e somos nós quem o copiamos-, portanto, não teríamos, necessariamente, motivos efetivos para nos sentirmos envolvidos com a película. Inclusive, têm algumas cenas, tal como a do estupro, que parecem ser absolutamente “cinematográfica”, afastando-se da realidade, porém, ainda assim, não deixamos de sentir raiva, repúdio do estuprador.
Por fim, sugero que assistam "Irreversível" e tenham suas própias reflexões.
Boa Sessão!
Att......
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